NOVO GAMA - GO
POSTADO EM 30/09/2019 EM Agricultura
PROJETO MÃOS PRODUTIVAS CAPACITA PRODUTORES RURAIS DE NOVO GAMA SOBRE A FORMAÇÃO DE COOPERATIVA

A Corumbá Concessões realizou uma capacitação do projeto Mãos Produtivas – Comércio institucional de alimentos na agricultura familiar para os produtores da Associação Jarumã/Jacumã, em Novo Gama, em 26 de setembro, na sede da entidade. O projeto está sendo implementado no município desde abril deste ano e o curso tratou sobre aspectos contábeis e legais do associativismo e do cooperativismo. O Mãos Produtivas faz parte do Programa Alternativa Produtiva e tem consultoria prestada pela Coopindaiá, de Luziânia.

 

Durante a capacitação, os participantes receberam a visita da prefeita de Novo Gama, Sônia Chaves, e dos secretários Maria da Guia (Educação) e José Pacífico (Ação Social), que foram conhecer o projeto e as instalações da associação. Ela agradeceu à Corumbá Concessões por levar aos produtores cadastrados no Mãos Produtivas das três associações – Jacumã/Jarumã, Riacho Doce e Chácaras Paulistas -, o conhecimento necessário para que eles possam se organizar melhor.

 

“As associações estão radiantes com esse conhecimento que estão recebendo do projeto. Esta é uma oportunidade para que o produtor permaneça na zona rural e para fazer o dinheiro dos produtores circular no próprio município”, disse Sônia Chaves. Ela observou que nas vezes em que concorreram a editais para venderem produtos para as escolas, eles saíram da prefeitura “tristes e abatidos” porque não tinham documentação correta. “Agora, com o conhecimento técnico que a Corumbá está colocando à disposição das associações, com certeza os produtores vão se tornar uma cooperativa que poderá participar de todas as concorrências que aparecerem não só no município, mas em todo o Brasil”, disse.

 

“O dia foi muito proveitoso, quando tratamos sobre a diferença entre uma associação e uma cooperativa em relação à parte contábil. O tema está entre os assuntos que os produtores de Novo Gama têm mais dificuldade de tratar no processo de comercialização. Depois de cinco capacitações do Mãos Produtivas, os participantes manifestaram o interesse de transformar as associações numa única cooperativa, ou seja, eles estão com um olhar mais empreendedor, que é o objetivo do projeto”, disse a analista ambiental da Corumbá Concessões, Marinez de Castro.

 

A companhia segundo ela, apoia os produtores desde a concepção do projeto, até à orientação jurídica, acompanhamento contábil e técnico agronômico. “Nós vamos continuar com o projeto na comunidade por um ano, vamos fazer a doação de algumas sementes e manter esse suporte técnico até que eles consigam caminhar com suas próprias pernas para concorrer aos editais, como o Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar)”, completou.

 

O curso foi ministrado pelo contador Alex John, com especialização em contabilidade cooperativista, que orientou os 11 participantes sobre os passos necessários para a transição para o cooperativismo. Ele mostrou que os produtores de Novo Gama poderão avançar de várias formas: Como cooperados, eles passarão a ter sobras financeiras (que é o equivalente ao lucro na empresa privada); e, como cotistas de capital social, eles terão facilidades para conseguir empréstimos bancários, créditos rurais, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), e outros incentivos fiscais do agronegócio para implantação, ampliação ou modernização da estrutura de produção, entre outras vantagens.

 

O ponto mais importante de uma cooperativa, destacou o contador, é o estatuto da entidade, a lei maior que vai nortear gestores e cooperados em todas as decisões. Alex John lembrou que enquanto no associativismo os gestores não são remunerados, no cooperativismo esses devem receber pelos serviços prestados à entidade. “Com isso, quanto maior o cargo, maior a responsabilidade nas prestações de contas internas e ao fisco que devem ser pautadas pela transparência em todas as movimentações financeiras”, disse.

 

Transparência e sustentabilidade

 

“A cooperativa é dos cooperados e não dos gestores, cujos mandatos passam, enquanto a instituição permanece. A responsabilidade do gestor é sempre fazer toda a movimentação econômica visando à sustentabilidade da instituição”, frisou Alex John. Outra questão que deve pautar todas as ações dos cooperados, acrescentou, é a preservação do meio ambiente.

 

Segundo Alex John, no processo de abertura de uma cooperativa o que mais gera embates são as divergências de ideias. Mas ele observou que o espírito cooperativista tocou as três associações, pois os grupos estão com os mesmos pensamentos e propósitos, não competem entre si, estão sempre ajudando uns aos outros e poderão crescer juntos para buscar mais recursos para a região. Na avaliação do contador, os produtores estão prontos para alçar voo sozinhos: “Se eles continuarem com esse espírito, em três meses vão conseguir abrir a cooperativa para que em seis meses ela já esteja funcionando”, calculou.

 

“O nosso maior objetivo e desejo é entrar no mercado. E nós estamos prontos, com segurança e competência, para virarmos cooperativa. Aprendemos que a isenção de impostos é uma das principais vantagens e só isso justifica o resto”, avaliou Cláudia Gouveia, presidente da Associação de Produtores Riacho Doce.

                                                                                      

A presidente da Associação Jacumã/Jarumã, Bernadete Gonçalves Santana, disse que depois das aulas chegou à conclusão de que será necessário contratar um que tenha experiência em cooperativismo. “Esse curso mostrou que nós estávamos limitados em tudo, enquanto associação. Eu, como presidente de entidade, por exemplo, sempre que vou resolver qualquer assunto para a associação, tenho que tirar o dinheiro do bolso para o combustível e outras despesas. Para mim, foi bom enquanto durou, a gente para aqui e parte para formar uma cooperativa”, finalizou, acrescentando que este pensamento é unânime nos três grupos.

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